Wednesday, August 30, 2006

A Praia da Ilegalidade (Droga)

Adias entrei no blog do meu amigo kijack e encontrei-lhe a falar do surrealismo dos Cabo-verdianos ligada ao descaramento perante as ilegalidades. Mas quando falo disso, falo de todos: de dirigentes políticos, funcionários, operários, até da minha própria pessoa. Isto se tornou num movimento contagioso em que todos se aderem a ilegalidades do tipo TVs/P , a pirataria de software (que até o nosi faz), os esquemas das alfândegas e principalmente ao tráfico de drogas.

Já há algum tempo que venho tentando analisar a situação e que se encontra mergulhada a nossa sociedade; neste caso a praiense que é onde eu me encontro reintegrado actualmente e tenho ficado muitas vezes equivocado e abismado pelo estado em que isto se entrou.

Aqui na Praia já é habito vermos número praticamente incontável de carros topo de gama estacionados nos nossos estacionamentos. Também é muito habitual depararmos quem anda nestes carros. Ainda a dias estava eu na Achada de Sto António quando passou por mim um desses Mercedes em forma de Jipe, novinha em folha, pintura metalizada, jantes especiais, dava para ver aqueles monitores LCD a brilharem por dentro daqueles vidros escuros, sinceramente, para eu que sou um admirador de carros e motores em geral, fiquei de queixo caído. Quando não, o carro parou, abriram-se os vidros e saiu deste um mosso com um boné de pala para traz, na faixa etária dos 20 a 27 anos e outros da mesma características que haviam ficado dentro do carro.

Como é possível estas cenas que se repetem todos dos dias e cada vez com personagens diferentes num pais como Cabo Verde que apesar de estar na moda, tem números desanimadores como já dizia Olavo Correia na coluna escrita na 2ª edição da revista do Jornal “A Semana”.

Se formos a Sucupira e fizermos um check nos preços, conseguimos ver imediatamente que estes preços inflacionados não pertencem ao mercado real Cabo-verdiano visto que o salário base de um quadro formado da função pública não passa os 45 contos. É impossível ter uma T-Shirt por 3500 escudos, alias como eu digo aos vendedores se eu comprar por este preço já não como até ao fim do mês. Mas mesmo assim os preços nunca baixam porque há clientes certos. Se não é o grande patrão que compra é o mecânico que toma conta daquela frota, ou a empregada que toma conta da mansão, ou até mesmo os bajuladores que dão campainha a este, naquelas tardes de sábado e domingo para o passeio de Jet Ski e de Barco, porem estes não estão directamente ligados ao esquema, apesar que funcionar como uma economia por arrastamento (em que um negocio na origens a outros vários) em que todos acabam por tirar uma casquinha e viver vidas de sonho.

Eu tenho uma certa paixão por motos. Tenho vinda a pensar em criar um clube de MotoCross aqui na Praia. Na conversa com um amigo, disse-lhe da minha ideia e este virou-se para mim e disse: Já sabes que tipo de gente vai acabar por frequentar esse clube pois não? – Eu passei um bocadinho, enruguei a testa e disse: Sim já sei, mas é que não é possível nos livrar-mos, isto já ta tão enraizado que ou aceitamos a situação como está ou emigramos para uma outra terra.

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